Marcos Matias Cavalcante: “O AGP surge em um cenário político e econômico diferente do atual, mas está buscando entender e seguir apoiando as prefeituras”


Nesta edição, convidamos Marcos Matias Cavalcante, coordenador de Inclusão Produtiva do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para falar sobre a evolução do AGP, seus novos desafios e o momento político e econômico brasileiro. Confira:

1 – Em 2012 o BNDES entrou nessa empreitada, junto com o Instituto e as empresas investidas da Votorantim, para apoiar a qualificação da administração pública em diversos municípios brasileiros. O que motivou essa parceria?

Quando começamos a nos aproximar de institutos e fundações empresariais, entre eles o Instituto Votorantim, percebemos uma oportunidade em relação à capilaridade destas organizações no território brasileiro. Imaginamos que poderíamos utilizar a presença física das unidades das empresas em determinadas localidades para apoiar o desenvolvimento dos municípios. Essa parceira começou, na verdade, em 2010, com o Programa ReDes, e se ampliou, dois anos depois, com o Programa de Apoio à Gestão Pública.

2 – E por que exatamente essa agenda?

Uma pesquisa mostrava que os problemas das cidades de pequeno porte estavam centrados em questões de ordem técnica, como elaboração de projetos, criação de diagnósticos e captação de recursos. Ou seja, de uma forma geral, uma demanda por qualificação. Essa linha de ação foi uma provocação nossa ao Instituto Votorantim, que, na época, passou a ver a questão como prioridade nos municípios e desenvolveu uma análise de cenários para atuação.

3 – E de lá pra cá muita coisa mudou.

Exatamente. O programa surgiu em um cenário político e econômico muito diferente. Hoje, continuamos tentando entender a realidade das prefeituras e seguir apoiando a qualificação de gestores mesmo em um momento completamente distinto.

4 – Quais foram as mudanças no cenário macroeconômico e político que influenciaram os rumos do programa?

Em 2012, por conta de uma série de fatores, existiam mais recursos disponíveis do Governo Federal para as cidades de pequeno porte. Infraestrutura era uma pauta relevante na época. Assim era possível mobilizar recursos para planos de saneamento, mobilidade, habitação, por exemplo. Atualmente os recursos federais estão mais escassos. As prefeituras precisaram rever seus gastos, equilibrar suas contas.

5 – E isso orientou um novo momento do programa.

Exatamente. Nos últimos anos, o Instituto Votorantim ganhou muito conhecimento sobre estes temas, absorveu experiência. Equilibrar despesas virou uma tendência e o AGP foi nessa linha. Foi uma sacada, uma boa visão do programa em olhar para essa questão do equilíbrio de receitas. É hora de aumentar receita ou otimizar despesas existentes. Precisamos trabalhar bem junto à gestão das prefeituras, pensar em ações mais simples nesse sentido, pensar em ações que não dependam tanto do fator externo [cenário macroeconômico] porque está tudo muito instável.

6 – E, além disso, o programa atravessou um período de mudança de gestão na maioria das prefeituras. Qual foi o impacto no programa? Quais as oportunidades que se abrem?

É hora de aproveitar os mandatos novos. Estamos vendo agora o primeiro mandato de muitos prefeitos. É uma boa oportunidade para o AGP levar sua contribuição e ajudar as prefeituras a buscar uma gestão mais participativa, transparente, com a comunidade perto, fiscalizando e apoiando.

7 – Essa é a tendência?

Espero que o AGP se adapte aos desafios e consiga resultados positivos diante do momento político e econômico que estamos passando. Também desejo que as comunidades vejam e reconheçam o trabalho que está sendo feito. Pensando nos municípios em si, nos beneficiários diretos que estão trabalhando com gestão pública, espero que o corpo técnico das prefeituras absorva todo o conhecimento que o programa oferece e que isso seja contínuo. Que as melhorias não parem e que a gestão pública saiba cada vez mais mapear suas demandas, seus gargalos e, consequentemente, lidar com tudo isso.

8 – Por fim, frente a todo esse momento político e econômico que temos atravessado no país, você arriscaria dizer que a população está mais interessada em política?

Arrisco dizer que sim. De forma geral, a pauta está forte, o foco está nos políticos e nos que estão cumprindo ou não suas responsabilidades. A população que saber o que está acontecendo e isso é muito bom.