Ponto de Vista – “A palavra é: liderança”

Foto de um homem negro, de aproxidamente 35 anos. Ele tem cabelos bem curtos e sorri na direção da câmeraNesta edição, o Boletim AGP celebra o Dia do Líder Comunitário – comemorado no último dia 5 de maio. Para tal, fomos até Sobral, no Ceará, para trazer o depoimento de Francisco Silva de Souza, o popular Chiquinho Silva, uma das lideranças do bairro conhecido como Terrenos Novos e diretor do Instituto Teias da Juventude.

“Sempre acreditei que os espaços comunitários – o que em geral chamamos de espaço público – não são propriedade particular de nenhum sujeito. Logo, ser um agente de liderança, de transformação social, não é um mero título. Ser liderança é fruto de um processo de incidência política, de participação, de escuta, de respeito às diferenças. Acho que é fundamental que participemos politicamente nos espaços de controle, de deliberação, de fiscalização. Temos que acreditar que as pessoas vão se emancipando ao longo do processo. Ninguém nasce sabendo. A gente vai aprendendo. Aos poucos vamos construindo. É muito importante que mesmo aqueles que não tiveram acesso à educação formal atuem nesses espaços. Precisamos forjar um processo de surgimento de novos atores, formar a juventude. Não existe outro caminho. É um processo que exige comunicação. Precisa fazer reunião com os jovens, ensinar, dar espaço. Nosso papel é de apoio. É um trabalho de empoderamento. Temos que ajudar as pessoas a vivenciarem os seus processos, com as suas competências e com os seus limites. Não adianta fazer uma liderança de manutenção, dessas que buscam se perpetuar nos espaços de participação. É comum ver algumas pessoas atuando em todos os conselhos: criança, cultura, juventude. Tem associação que tem um presidente, que depois passa o cargo para a esposa, para filha, para o neto. Cadê as outras pessoas neste processo? Ou seja, estamos falando da prestação de um serviço. Somos agentes de transformação. Tem um provérbio africano que diz: gente simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, consegue mudanças extraordinárias. É nisso que eu acredito.”