Educação e saúde juntas no desafio Criativos da Escola 2017

Apiúna é um município catarinense com cerca de 10 mil habitantes, localizado a 189 km de Florianópolis. É de lá a Escola Municipal Victória Cerutti Petters, uma das premiadas pelo desafio Criativos da Escola, idealizado e realizado pelo Instituto Alana, com apoio do Instituto Votorantim.

A localidade participa das ações do programa Parceria Votorantim pela Educação (PVE), iniciativa do Instituto Votorantim com apoio da Votorantim Energia na região.

Com o projeto “A Educação a Favor da Saúde”, dez alunos catarinenses ajudaram na conscientização da população sobre a importância de comparecer às consultas e exames agendados pela rede municipal.

Marcella Cristina Voigt, diretora da escola e uma das orientadoras do projeto, falou sobre a ideia: “Cada escola deveria encontrar uma problemática da comunidade ou do município e tentar encontrar uma solução para minimizá-lo ou resolvê-lo. ”

Segundo a diretora, a ideia veio após o secretário de saúde comunicar em diversas rádios e jornais o desperdício da verba com a ausência dos pacientes que não vão às consultas e exames agendados – dentro e fora do município.

Pensando na questão, 10 alunos do 6° ao 9° ano sentaram para discutir o problema. Braian Lino da Silva Correa, Brenda Larissa Formagi, Brenda Rech Custódio, Felipe Pereira Marçal, João Paulo Bernardi, João Vitor Bernardi Petri, Jony Alexandre Stedile Filho, Joseane Boss, Natan Vinicius Stedile de Souza e Larissa Montibeller decidiram criar uma campanha para conscientizar a população. Além de Marcella, a professora Patrícia Bugmann Vitória e a auxiliar de direção, Lilian Cristina Pereira, também orientaram os estudantes.

“Uma das maneiras seria comunicar a ausência com antecedência para abrir vagas para outras pessoas na fila de espera, reduzindo essas despesas”, conta a orientadora.
Os estudantes se reuniram com gestores municipais na Secretaria de Saúde e, posteriormente, receberam-nos na escola para a troca de informações que deu início ao desenvolvimento do projeto.

Com base nos encontros e números analisados, foram feitos dois gráficos: um com os procedimentos realizados em Apiúna, e outro com os agendamentos perdidos nas cidades vizinhas. De acordo com Marcella, o agendamento em cidades vizinhas é comum, pois o município não conta com uma rede para exames de alta complexidade e consultas com especialistas.

Os resultados alarmaram os moradores: das 4.847 consultas e exames agendados entre janeiro e maio deste ano, 375 (7,7%) delas não foram realizados.

Um fator agravante para os altos gastos com a saúde é o transporte: a prefeitura arca com vans para levar e buscar os pacientes com agendamentos nas cidades vizinhas.

Mais informação, menos despesas

Com base no diálogo direto com a população, os alunos promoveram a campanha em unidades básicas de saúde (UBS), de porta em porta e com mutirões da saúde.

No primeiro, 800 pessoas compareceram, após participarem da campanha de conscientização sobre as despesas extras com saúde em Apiúna. Já o segundo, mobilizou a população para operações de catarata, sem faltantes.

“O trabalho deles envolveu um cronograma, desenvolvido ao longo dos meses. Foram adesivos, visitas e panfletos focados na mobilização da comunidade, tendo o diálogo como base”, destaca Marcella.

Todo o esforço valeu a pena e o projeto ganhou a mídia: foram diversas matérias em jornais e emissoras locais, além de uma matéria no telejornal Bom Dia Santa Catarina.

Indo além dos limites catarinenses, os estudantes foram premiados pelo desafio Criativos da Escola, com uma viagem para o Rio de Janeiro (RJ). Marcella e mais quatro estudantes participaram dos quatro dias de vivências, realizados entre 2 a 5 de dezembro, onde os estudantes puderam conhecer as outras iniciativas de todo o Brasil. Ao longo da viagem, os alunos participaram de várias atividades, como a criação de um vídeo e o desenvolvimento de jogos para aplicação nas escolas.

“Nós contamos com muito apoio da prefeitura ao longo de toda a trajetória. O resultado foi que eles arcaram com as despesas dos oito alunos e duas orientadoras para que todos nós pudéssemos participar do dia da premiação”, afirma a diretora.

No Rio

Para Marcella, a troca de experiências e o reconhecimento do trabalho são o melhor prêmio: “Ver a nossa escola, de um município pequeno, ganhar visibilidade é muito gratificante. Fomos reconhecidos com o nosso trabalho. Somos as pessoas que fizeram a diferença, por estar levando o nome de Apiúna e de Santa Catarina com alcance nacional”.

Por fim, a diretora e orientadora do projeto ressalta: “O PVE só trouxe benefícios, grandezas e muitas ideias para a melhoria da nossa escola e para a Educação no município”.

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