Paulo Duarte: "Construções e discussões agora têm diretrizes que foram pensadas pelos cidadãos de Corumbá"

Em um escritório, um homem branco de meia-idade posa para a foto, ele usa camisa xadrez e segura uma caneta em uma das mãos
Conversamos com o prefeito de Corumbá (MS), Paulo Duarte, sobre o futuro da cidade agora que o Plano de Mobilidade Urbana e Rural foi aprovado pela Câmara e se tornou Lei Municipal.

1. Qual a realidade da cidade Corumbá que fez com que o objetivo da atuação do AGP fosse o Plano de Mobilidade Urbana e Rural?

Corumbá é uma cidade de 110 mil habitantes que não para de crescer. Temos algumas questões para ajustar dentro desse crescimento, como o anel viário que corta a cidade atualmente e deixa o trânsito com cargas pesadas. Temos estacionamentos para veículos de grande porte em bairros residenciais e isso acaba comprometendo a pavimentação das ruas. Esse fluxo é importante para a economia, mas ele precisa ser mais sustentável. Sobre o transporte público, um dos problemas na cidade era o número baixo de ônibus circulando. Isso foi apontado quando assumi, em 2012, como uma prioridade e fizemos um novo processo (de licitação) que trouxe mais ônibus. Isso já foi um avanço, mas agora podemos fazer mais por esse cenário, pois quando se fala em mobilidade urbana tem que se pensar em todo tipo de transporte, principalmente o coletivo. Além disso, mobilidade se destacou por conta da localização estratégica da nossa cidade: estamos distante de grandes centros, mas fazemos fronteira com a Bolívia. Então são brasileiros e bolivianos indo e vindo com muita facilidade, o trânsito é grande. Ainda temos uma cidade ao lado, Valadares, que funciona como uma extensão de Corumbá. Então o plano vem em boa hora e é essencial para organizar essas demandas e contemplar toda a comunidade dentro de suas diferentes realidades.


2. Como foi o processo de construção desse Plano, que agentes da comunidade participaram e que papéis eles desenvolveram nessa caminhada?

A construção do plano contou com a participação da sociedade civil, do poder público e da marinha local que apoiou uma pesquisa de contagem de movimento e fluxo de pessoas e veículos. Além disso, alunos e professores da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS) também participaram entrevistando pedestres, ciclistas, usuários do transporte público com o questionário de origem e destino da viagem. Tudo isso foi feito com um universo de 1.500 usuários e ajudou muito para entendermos como a mobilidade tem funcionado e quais as ações prioritárias. A empresa de ônibus urbana local também participou do processo. Procuramos inserir todos os agentes importantes e essa participação foi fundamental. Foi criado um comitê, várias reuniões aconteceram, além das oficinas participativas, oito na área urbana e quatro na área rural. Foi um processo tranquilo que levou o plano construído por várias mãos para a câmara, culminando na criação da lei municipal.

3. Após esse processo de construção do plano, houve uma mudança de percepção quanto à importância da participação cidadã nas decisões políticas e construção de melhorias para a cidade? E pessoalmente, o que essa construção e parceria com o AGP agregou?

Não era algo comum discutir o presente e o futuro da cidade de forma tão colaborativa e conjunta. Parecia distante essa ideia, mas a receptividade da construção do plano como foi proposto foi muito boa. Acredito que a comunidade viu que pode participar e cada um pode ser um cidadão ativo porque foi parte do início ao fim e viu um resultado concreto. O documento final ter sido aprovado como lei fez toda a diferença. Esse trabalho feito por meio do AGP foi fundamental por trazer a expertise e a metodologia da construção do plano dessa maneira. Esse apoio se uniu à ideia de uma fundação que foi criada para o desenvolvimento humano e patrimônio histórico e que já buscava pensar estrategicamente o crescimento da cidade nos próximos anos. Foi a união certa e em boa hora, pois ficou também o legado do conhecimento para os servidores públicos. Minha conquista pessoal nesse processo é que esse grande passo foi dado nesta administração, mas gerou algo que é para todos, para que as futuras gestões também possam se basear nesse plano e pensar na ocupação dos espaços, acesso, transporte público de qualidade e outras questões importantes.


4. Com a aprovação na Câmara, quais são os próximos passos em relação ao plano e melhorias na cidade? O que podemos esperar sobre mobilidade em Corumbá nos próximos anos?

Os próximos passos são para administradores de qualquer setor, público ou privado, e para a comunidade de modo geral: precisamos agora nos nortear pelo plano e pensar nas ações com essa base e não da maneira que se acha ou vem à cabeça. Construções e discussões agora têm diretrizes que foram pensadas e determinadas pelos próprios cidadãos de Corumbá. O que acontece é isso: as gestões passam, mas já temos um caminho que foi escolhido por todos. Para os próximos anos Corumbá só tem a crescer e melhorar sua estrutura, sua mobilidade urbana e rural e consequentemente outros setores como o comércio e economia. O futuro é promissor, estamos todos muito satisfeitos com essas conquistas. E com o que ainda está por vir.