Veveu Arruda: “Experiências municipais podem contribuir para inspirar não apenas outras cidades, mas também o país”

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Nesta edição do Boletim AGP, entrevistamos o prefeito de Sobral (CE), José Clodoveu de Arruda Coelho Neto, o Veveu Arruda, que falou sobre a finalização do Plano Sobral de Futuro. O plano, que estabeleceu uma estratégia de desenvolvimento para o município nas três próximas décadas, foi desenvolvido como parte do Programa de Apoio à Gestão Pública e contou também com apoio do Instituto Arapyaú.

Conheça o plano Sobral de Futuro na página Sobral de Futuro  e  leia a reportagem anterior do Boletim AGP sobre o plano.

1. Como foi o processo de preparação do Plano Sobral de Futuro?

Antes de mais nada, é importante ressaltar que o Sobral de Futuro é um plano estratégico para o município, não é um plano de governo. Ele busca construir uma visão de futuro para o município para os próximos 30 anos, mobilizando parceiros que estão na cidade e também em outros locais, e estabelecendo tarefas para a administração pública e também para a iniciativa privada, para as organizações da sociedade civil e para os cidadãos. Para construir um planejamento com essa característica, foi imprescindível a participação de todos os setores, de todas as forças econômicas, sociais, religiosas, culturais e políticas. Esses segmentos foram convidados a pensar o processo em si. A participação na concepção funcionou como uma espécie de pacto, buscando um consenso na forma de trabalhar para, a partir daí, todos os atores serem protagonistas do processo. Eu creio que experiências municipais, como é o caso desta, podem contribuir para que tenhamos novas referências e modelos de gestão que inspirem não apenas outras cidades, mas também o país. O nome Sobral de Futuro já sugere o que queremos: construir uma nova era, um novo tempo.

2. Em sua opinião, quais os destaques do plano que foi entregue e como ele deve efetivamente contribuir para a o desenvolvimento do município nas próximas décadas?

Eu quero destacar três coisas. O primeiro ponto é a própria metodologia. Os modelos existentes de governança estão se mostrando ineficazes, até mesmo falidos. Então é preciso instituirmos novas formas de governo e essa é uma grande contribuição para isso porque propõe um modelo participativo na construção e na execução. Nós vamos ter mais êxito se a execução do plano for assegurada pelo conjunto dos atores que participaram da sua concepção. Esse é um jeito novo de se fazer política, de se administrar, é uma nova cidadania onde todos se sentem responsáveis pelo que precisamos fazer. O município é a nossa casa e temos que olhar para as tarefas que precisam ser executadas nele com responsabilidade, pensando de uma forma integral.

Outro ponto que quero destacar é o enfoque com o meio ambiente. Há uma preocupação com o rio Acaraú, que é o motivo pelo qual Sobral está naquele território. Estamos pensando não apenas na despoluição e recuperação do rio, mas também em sua contribuição para o lazer e para as atividades urbanas da nossa cidade. Há uma atenção também com a Serra da Meruoca, que é outro marco geográfico importante da nossa cidade, e com as lagoas. Essa preocupação ambiental considera ainda a questão da limpeza urbana e uma nova atitude do cidadão. Para ter uma cidade limpa, bem cuidada e que preserva seus recursos naturais, é preciso que essas atitudes estejam na cabeça de cada um de nós, cidadãos, não apenas na cabeça do gestor.

O terceiro destaque que eu faço é a participação da juventude na reflexão da cidade que queremos, do futuro que desejamos, na definição de tarefas para que tudo isso aconteça. Entendo que o jovem de 15, 16 anos vai ter uma atitude definidora, uma contribuição protagonista nesse processo. A juventude traz ideias novas, questionamentos, tem uma inquietação criativa. Eu diria que a juventude é grávida do novo, é ela quem vai construir o novo que precisamos em Sobral.

3. Como está sendo a receptividade do plano nessas apresentações públicas que começaram a ser feitas no mês de outubro?

Já foram feitas algumas apresentações públicas e outras ainda acontecerão para dar maior visibilidade e amplo conhecimento do resultado à população. Ainda deverá acontecer, por exemplo, uma na Câmara dos Vereadores, possivelmente em novembro. A receptividade tem sido muito boa nas apresentações feitas até agora. As pessoas se identificam com o que está posto ali porque, afinal de contas, o processo foi feito de forma participativa, não apenas presencialmente mas também por meio da internet, que foi um canal que recebeu inúmeras contribuições. Enviamos muitos convites e divulgamos muito. Só não participou quem não quis.

4. O senhor está deixando a prefeitura após dois mandatos. Acredita que o Sobral de Futuro é um legado que deixa para o município?

Logo que fui reeleito, tive a ideia de fazer esse planejamento e de desenvolvê-lo nessa concepção de ser um plano para o município e com a participação de todos. Já tínhamos experiência anterior de planejamento, mas queria fazer algo novo, já que os anteriores eram focados em tarefas da prefeitura. Fui atrás de parceiros que pudessem nos ajudar e encontramos um parceiro que estava dentro de casa, que foi o Instituto Votorantim, que já estava nos ajudando a desenvolver um programa de modernização administrativa da prefeitura. O Instituto faz parte do Grupo Votorantim, que tem uma unidade da Votorantim Cimentos em Sobral desde os anos 60. Se juntou a nós também o Instituto Arapyaú e esses parceiros foram fundamentais, ao lado das universidades. O tempo foi passando, o plano foi ganhando proporções maiores e ele sem dúvida vai ficar como um legado. Eu fico muito feliz porque todos esses parceiros tem esse mesmo entendimento de deixar uma contribuição para o município de Sobral.

Isso se soma a duas conquistas sociais importantes que obtivemos ao longo dos últimos anos. Na área de Educação, no último IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) anunciado, Sobral aparece em primeiro lugar entre os 5.570 municípios do país (na avaliação do 5° ano). Outro ponto é em relação à mortalidade infantil: temos a menor taxa entre os municípios do Nordeste, do Norte e do Centro-Oeste e ocupamos a 11ª posição entre as cidades com menor índice de mortalidade infantil do Brasil.