Escola Digital: a aprendizagem para os alunos do século XXI

Imagem com arte mostrando o mapa do Brasil com os logos das plataformas digitais em cima dos estados de atuação de cada uma.

Conheça a rede de plataformas que compartilha objetos digitais de aprendizagem e auxilia redes municipais e estaduais de ensino

Qual é a forma de aprendizado do aluno no século XXI? De que maneira é possível unir a tecnologia ao professor para auxiliar no ensino? Essas foram algumas das perguntas feitas por David Saad, do Instituto Natura, Anna Penido, do Instituto Inspirare, e Américo Teixeira, da Fundação Telefônica Vivo, antes do desenvolvimento da plataforma Escola Digital, lançada em 2013.

As três instituições uniram suas expertises em Educação para criar a plataforma que reúne os melhores recursos e objetos digitais de aprendizagem. O foco é auxiliar professores com planos de aula compatíveis com os currículos estaduais e municipais. “É como uma grande coleção de recursos digitais, que ajudam esses profissionais a tornar suas aulas mais dinâmicas e interessantes”, conta Sarah Faleiros, coordenadora da Escola Digital.

Toda a rede, que hoje conta com mais de 18 mil objetos digitais de aprendizagem cadastrados, passa por curadoria. “O conteúdo passa por análise, pois é preciso verificar se as informações estão corretas”, afirma a coordenadora do projeto. Após a curadoria, esse material é organizado em filtros, segundo os parâmetros curriculares nacionais, para facilitar a rotina dos professores e o planejamento de aulas. O acesso é gratuito e pode ser feito, também, pelos alunos e pela comunidade.

Rede de Plataformas

Em 2014, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo já buscava um sistema que integrasse conteúdos digitais (vídeos, videoaulas, jogos, animações, simuladores e infográficos), articulados com o currículo estadual vigente. Foi quando a Escola Digital vislumbrou a possibilidade de ir além da plataforma. “O conceito do projeto estava totalmente alinhado às prioridades do governo paulista, então nós oferecemos a nossa interface para eles, o que resultou no Currículo +”, conta Sarah.

A dinâmica mostrou resultados e, em pouco tempo, os professores passaram não apenas a auxiliar no processo de curadoria, mas também a contribuir com a produção de novos objetos digitais de aprendizagem, incluindo-os no acervo. “Percebemos que era um modelo interessante de implementação e decidimos ampliar o conceito da Escola Digital, replicando a rede em outros municípios e estados brasileiros”, destaca a coordenadora.

Atualmente, 30 plataformas integram a rede originada da Escola Digital: 20 estaduais e 10 municipais. Em 2016, foram contabilizados 1,6 milhão de acessos, e estima-se que 40% dos usuários sejam professores, 40% alunos e os outros 20% divididos entre gestores escolares e comunidade.

Em sua terceira versão, a plataforma busca sempre formas de aperfeiçoar o conteúdo e a usabilidade, com ferramentas de interatividade e novas formas de filtrar os materiais disponibilizados. Para Sarah, a dinâmica colaborativa permite a constante construção e melhoria do projeto: “É importante, para nós, que a missão de diversificar e ampliar o projeto não seja apenas nossa, mas de todas as pessoas que compõem essa grande rede”.

Oportunidades e desafios

As Secretarias Estaduais de Educação também são consideradas parceiras do projeto, pois atuam diretamente na ponta da rede: com os professores. Por isso, participam ativamente no processo de curadoria. “São elas que nos ajudam a pensar na implementação do projeto e decidir quais serão as estratégias utilizadas no ano seguinte”, destaca Sarah.

A diversidade do acervo também é um ponto importante, pois, graças à tecnologia, os conteúdos transcendem as fronteiras geográficas e proporcionam uma troca muito rica: “O Acre é um dos estados que participam da rede, e eles criaram objetos específicos sobre as etnias locais, com a cultura indígena, em sua língua nativa”.

Um grande desafio, no entanto, é a conectividade. Nem todas as escolas possuem acesso à internet, o que dificuldade o uso da plataforma dentro das salas de aula. Um dos próximos passos é pensar na demanda para soluções de uso off-line. A coordenadora destaca que a escola não pode mais se abster da utilização dos recursos digitais disponíveis e gratuitos.

Outro ponto importante é a adaptação dos professores a essa nova forma de ensino. “Muitos deles ainda têm dificuldade. Por isso, nós oferecemos um curso a distância, com 40 horas de duração, divididas em quatro módulos. A metodologia contou com apoio de Jacqueline Peixoto Barbosa, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), pensando justamente na formação destes profissionais, para que o uso desses recursos seja mais qualificado”, reforça a coordenadora, que também destaca a importância de os gestores apoiarem esse movimento.

Sarah acredita que a tecnologia é um importante instrumento para melhorar a qualidade da educação, inclusive oferecendo ferramentas de acessibilidade para alunos com deficiência. “Há novas formas de sistematizar o conteúdo, antes limitado à leitura e à escrita que possibilita que os próprios alunos criem objetos digitais de aprendizagem. Além disso, os diferentes tipos de mídias dos recursos podem facilitar o acesso dos conteúdos para estudantes com algum tipo de deficiência, como os podcasts para alunos com deficiência visual, por exemplo”, finaliza.