“Focar no produto ou no modelo é apego e te cristaliza” , afirma Marco Gorini, da Din4mo

Em maio, o Instituto Votorantim (iV) promoveu o iV Talks – um evento no formato bate-papo para debater assuntos relevantes sobre suas áreas de atuação. Sob o tema “Negócios de Impacto e as Grandes Empresas: Oportunidades e Desafios”, esta edição contou com convidados renomados que trouxeram dados e informações sobre este mercado. Dentre eles, Marco Gorini, sócio-fundador da Din4mo – empresa voltada a empreendedores, startups e organizações sociais (CSR, fundações e institutos) que potencializa o desempenho de negócios de impacto.

Em uma conversa exclusiva com o iV, Gorini dá dicas e compartilha dados que interferem na longevidade de um negócio de impacto. Confira:

Instituto Votorantim – Como identificar um negócio de impacto?

Marco Gorini – Pela intencionalidade dos empreendedores em gerar impacto, que deve estar conectada com a estratégia central (core business) do negócio e também pelo eventual impacto que o negócio já gera (evidências empíricas). Muitos negócios de impacto tentam, de alguma forma, usar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), criados pela ONU, como referência para definirem seus espaços de atuação. Então, diria que intencionalidade, modelo de negócio alinhado com a intencionalidade e evidências já existentes formam um mix de possibilidades para identificar se o negócio é de impacto ou não. Claro que por definição, deve ser um negócio que objetiva impacto + retorno financeiro. No caso da Din4mo, nossa Tese de Impacto está conectada com as ODS 3 (saúde e bem-estar), 10 (redução das desigualdades) e 11 (cidades e comunidades sustentáveis). Então, todos os empreendedores que desenvolvam iniciativas conectadas a estas ODS, em tese, são elegíveis a entrarem no nosso processo.

iV – Como funciona o Inovadores de Impacto? Todos os negócios recebem investimento?

MG – O Programa Inovadores de Impacto foi criado em 2014. De lá até hoje foram mais de 20 mil horas de consultoria hands on para startups de impacto. Criamos o Programa para atender uma “dor” grande do ecossistema empreendedor, que não possui praticamente oferta de um trabalho de consultoria de um time muito senior, bastante hands on com um olhar sistêmico (360°) e de elevada profundidade para startups que estão no chamado “Vale da Morte” (estágio em que saíram de um processo de aceleração, provavelmente com o seu modelo de negócio idealizado, mas ainda não totalmente validado e que ainda não tem estrutura nem appeal para um fundo de venture capital ou capacidade de crescer aceleradamente e organicamente). Nossa experiência como empreendedores nos levou a estruturar o Programa Inovadores de Impacto em 12 meses, executados semanalmente com o time empreendedor (240h ano). Ao longo deste período, tratamos de forma muito assertiva e pragmática de todos os pontos que um negócio precisa para estar saudável – modelo de negócio validado, marketing e vendas, finanças, time e desenvolvimento organizacional, governança e operações. E quando entendemos que faz sentido para ambas as partes, também podemos investir e receber equity em troca. Estar no Inovadores de Impacto não é vinculante ao recebimento de investimento. Cada caso é avaliado de forma personalizada.

iV – Em sua opinião, quais sãos os maiores erros que não garantem a longevidade e a sustentabilidade de negócios de impacto de modo geral?

MG – Lacunas importantes de time (competências essenciais), falta de governança adequada entre os sócios – principalmente. Apego, diferententemente da paixão, torna o empreendedor surdo e cego, cheio de certezas. Errar o timing para tomadas de decisões que comprometem o caixa de forma mais aguda (ou demorar demais ou acelerar demais) e, por fim, uma cultura de ganha-perde em vez de uma cultura ganha-ganha.

Marco Gorini foi um dos convidados do iV Talks de maio

iV -Como reverter este quadro? Quais alternativas devem ser buscadas por estes empreendedores?

MG – Se cercar de gente melhor do que o próprio empreendedor, criando um time campeão e engajado. Valorizar o desenvolvimento de uma governança adequada para o estágio do negócio e dinâmica para acompanhar sua evolução. Focar em servir o cliente, ter sucesso com ele e não em ter sucesso com o seu produto. Focar no cliente te faz ouvir e observar. Produto é meio. Modelo é meio. Focar no produto ou no modelo é apego e te cristaliza. Aprender a ter a “leitura sistêmica” do seu negócio e o contexto, criando indicadores que possam gerar evidências dos momentos certos para agir e decidir. Apoiar-se em fatos e não em apenas achismos – o que não quer dizer que deve ignorar o seu feeling empreendedor, pelo contrário, deve aprender a potencializá-lo. Ser o exemplo e o co criador de uma cultura autêntica de ganha-ganha em todas as situações e com todas as pessoas.

iV – Em linhas gerais, conte-me um pouco da trajetória da Din4mo e os resultados obtidos até o momento.

MG -Fundamos a Din4mo em 2014, com três sócios – Haroldo Torres, Marcel Fukayama e eu. No ano passado, a Mariana Salton também tornou-se sócia. Temos três grandes diretrizes que balizam nossa estratégia: apoiar empreendedores de impacto; criar infraestruturas inovadoras e distribuídas, de acesso a capital; e inspirar e promover o desenvolvimento do ecossistema de impacto.

A Din4mo na verdade são 3 empresas. Cada uma focada em um dos pilares que julgamos como os que definem chances de sucesso ou fracasso na vida empreendedora: Gestão 360°, Equity e Crédito.

Na Din4mo Consultoria (DC), ao longo deste período apoiamos mais de 35 startups e organizações, com mais de 25 mil horas de consultoria e um dos orgulhos que temos é que todas as startups seguem vivas e operando até hoje. É um indicador muito positivo, dado o estágio que atuamos.

Na Din4mo Ventures (DV), somos pioneiros e o maior sindicato de crowdequity de impacto social do Brasil. Começamos em 2016 e nossa meta é termos um portfólio de 21 startups investidas até 2022. Hoje, temos 5 negócios investidos. Com a DV, lideramos e viabilizamos acesso a equity semente, tickets de 500k a 1.5MM.

Na InvestSocial (Din4mo + Gaia), criada recentemente como uma JointVenture com o Grupo Gaia, focamos em desenvolver operações de acesso a crédito via mercado de capitais. Esse é um ponto crucial no ecossistema todo, pois sem crédito, será impossível escalar qualquer negócio de impacto. E todos sabemos, o crédito é inexistente nos canais tradicionais. Na InvestSocial, criamos e lançamos com êxito, em janeiro 2018, a primeira debenture social do Brasil, fazendo uma captação de R$ 5MM para financiar famílias de baixa renda que desejam fazer reformas nas suas casas e são clientes do Programa Vivenda.

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