Fortalecimento de redes locais é impacto indireto de projetos do AGP

Dando continuidade à série especial que relata mudanças geradas a partir da chegada do programa, destacamos como a articulação de poder público, iniciativa privada e sociedade civil traz benefícios a todos os setores e contribui para o desenvolvimento sustentável dos municípios

A construção de redes em um território surge a partir da articulação de diferentes agentes, criando e fortalecendo parcerias para potencializar resultados e obter ganhos sociais.  A rede se baseia em conexões, em que cada membro tem algo a oferecer e a receber, e o que a torna forte são os relacionamentos e as parcerias de cada um.

Os projetos e planos desenvolvidos com suporte do programa de Apoio à Gestão Pública nos municípios têm em seu cerne a necessidade de envolvimento de diferentes atores. Esse processo de aproximação tem gerado um “efeito colateral” bastante positivo: o fortalecimento de redes compostas por poder público, iniciativa privada e sociedade civil organizada em prol de objetivos comuns.

O secretário-geral do Grupo de Institutos, Fundações e Empresas (GIFE), José Marcelo Zacchi, afirma que a articulação de redes é um caminho fundamental para promover o desenvolvimento das localidades e territórios. “É absolutamente inviável imaginar modelos de desenvolvimento coletivo, duradouros e sustentáveis que não produzam uma conjugação de ações, esforços e interações entre os vários segmentos que compartilham aquele espaço e desenvolvem indivíduos”, destaca.

Zacchi defende que as cidades são, por excelência, espaços da co-criação, em que todos os elementos têm o seu papel na atividade econômica e no uso e apropriação do espaço público. Para ele, esta ideia ainda não está totalmente enraizada no modo de pensar a gestão pública e há um entendimento de que governo é algo que vem de fora para dentro, de cima para baixo, a partir de um ator onisciente e onipotente, que produz e encaminha os processos.

“A convergência e a negociação de vários interesses, ideias e pontos de vista para que esta construção compartilhada fique cada vez melhor formam a chave para pensarmos boas políticas de planejamento urbano, tanto no ponto de vista da efetividade quanto no alcance da durabilidade e sustentabilidade para dar raiz e teia para sustentar processos de atuação sólidos e duradouros.”

 A experiência no AGP

 

Um bom exemplo de fortalecimento das redes locais entre os projetos apoiados pelo AGP está sendo vivenciado nas cidades paulistas de Juquiá, Miracatu e Tapiraí. Nos três municípios, o programa está apoiando a construção de um Plano de Turismo Integrado Regional, que ficará pronto no início do próximo ano.

Como etapas do plano regional, foram elaborados planos municipais de turismo para Juquiá e Miracatu e estruturados os Conselhos Municipais de Turismo (Comtur) nessas duas localidades. A existência de conselhos ativos é uma exigência para que as cidades possam ser elevadas à categoria de Município de Interesse Turístico (MIT) – o que já aconteceu com Tapiraí com o plano municipal de turismo o concluído em 2015 – e, consequentemente, possam receber recursos estaduais para investimento no turismo.

“Com o processo de elaboração dos planos e principalmente de formação dos conselhos de turismo, começa a acontecer um movimento de fortalecimento das redes nos municípios, envolvendo agentes públicos, empresas e representantes dos setores de hotelaria e alimentação”, afirma Valéria Schenardi, consultora da Diagonal que acompanha o desenvolvimento desse projeto, um investimento social do Legado das Águas – Reserva Votorantim em parceria com o Instituto Votorantim (AGP) na região.

O diretor do Departamento de Cultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico de Miracatu, Giberto Fernandes do Santos, afirma que a resposta dos diferentes setores impactados pelo turismo na cidade vem sendo bastante positiva porque as pessoas estão acreditando que esse envolvimento irá trazer bons resultados em breve.

“Convidamos representantes de diversas áreas para fazer parte do Comtur e conseguimos formar um grupo bastante diversificado, com membros de sindicato rural, associação comercial, restaurantes, pousadas, artesãos e comunidades tradicionais”, afirma. “Estamos em uma área que é patrimônio da Unesco e muito em breve, com a duplicação da BR-116, vamos estar a menos de uma hora de viagem de São Paulo. Precisamos nos unir e nos fortalecer para aproveitar as boas oportunidades de atrair recursos para o município e a região.”

Lucas Figueiredo, vice-presidente da Câmara de Tapiraí e também proprietário de um hotel na cidade, afirma que diferentes setores têm se envolvido e acreditado nos benefícios que a estruturação do turismo deve trazer à cidade.

“Estamos investindo em estruturação e profissionalização do setor e conseguimos uma parceria com o Centro Paula Souza para oferecer cursos para formar mão-de-obra. Já tivemos muitos avanços localmente, mas ainda precisamos nos fortalecer entre os municípios, como região turística mesmo. Acredito que esse é um passo importante para os próximos meses.”

Em Juquiá, há grande expectativa com o aprimoramento de estruturas de turismo local. “Ainda precisamos ter um centro de informações turísticas, que receba nossos visitantes. Trabalho com turismo voltado para a pesca e sinto a evolução nos últimos anos. Acredito muito no nosso potencial”, afirma Antonio Cabral Muniz, membro do Comtur e também da ONG Amigos do Rio Juquiá.

Legado das Águas

A Votorantim também é um dos atores envolvidos nessa grande rede voltada a fortalecer o turismo na região. A Reservas Votorantim é uma empresa da Votorantim S.A. criada para gerir seus ativos ambientais e responsável pela administração do Legado das Águas, maior reserva privada de Mata Atlântica do País, com 31 mil hectares e localizada nos municípios de Juquiá, Miracatu e Tapiraí.

Simone Conte, consultora de Responsabilidade Social do Legado das Águas, explica que o turismo é uma das atividades da empresa, que também tem em seu portfólio de produtos e serviços um viveiro de mudas, pesquisas, compensação ambiental e cursos, entre outros. Por meio de empresas parceiras, o Legado oferece em sua área atividades de ecoturismo como trilhas de bicicleta, caiaque e observação de aves.

Como um agente importante e interessado no desenvolvimento do turismo da região, a empresa tem acompanhado o desenvolvimento dos planos nas cidades, inclusive como membro do Comtur de Tapiraí.  “Queremos dar nossa contribuição à região em que estamos presentes e entendemos que isso está alinhado ao nosso entendimento de que a responsabilidade social é um elemento transversal ao nosso negócio e que gera valor a todos”, explica.