Isadora Faber: “As represálias que vinham da escola só me davam mais vontade de mudar”

Antes mesmo de as ocupações escolares dos alunos do Ensino Médio ganharem repercussão na mídia, a catarinense Isadora Faber virou manchete com o seu “Diário de Classe”. O protagonismo dos jovens como um dos caminhos para a mudança na Educação foi o que a motivou a criar seu blog.

A página foi criada em 2012, quando a estudante de 13 anos se inspirou na britânica Marta Payne e decidiu utilizar as redes sociais para contar os problemas de sua escola e buscar ajuda de alguma forma.

Isadora virou notícia diversas vezes. Parte por conta de sua coragem para lutar por uma escola melhor, parte pelas retaliações sofridas durante essa trajetória. E afirma: “As represálias que vinham da escola só me davam mais vontade de mudar”.

Atualmente com 18 anos, ela se prepara para o vestibular e afirma que o debate sobre causas sociais está muito além dos muros da Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho, em Florianópolis, Santa Catarina.

Confira nossa entrevista com Isadora e conheça a história de mais uma jovem protagonista da mudança da sua realidade:

Instituto Votorantim – Como aluna, em que momento você percebeu a importância da gestão escolar para melhorar o ensino?
Isadora Faber: Quando conheci uma escola particular por dentro. Só então eu notei as diferenças e comecei a me perguntar por que havia tantos problemas na minha escola.

IV – Você se inspirou na escocesa Marta Payne para criar a página “Diário de Classe”. Quais são as principais semelhanças e diferenças entre a sua escola e a dela?
IF: Eu me inspirei na maneira de ela fazer as denúncias. A estudante costumava reclamar que chegava em casa com fome depois da aula e, desta forma, mobilizou a sociedade com seu blog. Eu decidi criar uma
página, pois, para mim, era mais fácil de administrar.

IV – A repercussão da sua iniciativa foi grande, o que desencadeou muitas reações negativas. Em algum momento você pensou em desistir?
IF: A única vez em que me passou isso pela cabeça foi no começo deste ano. Eu e minha irmã fomos agredidas na rua por pessoas que a culparam pelas denúncias que eu havia feito. Fora isso, as represálias que vinham da escola só me davam mais vontade de mudar.

IV – O que te motiva, atualmente, a dar continuidade ao projeto?
IF: Hoje eu tenho 18 anos e uma mente muito diferente daquela época. Gosto de discutir diversas causas sociais e debater sobre elas, mas tenho um pouco de dificuldade quanto a isso. Muitos dos meus seguidores ainda têm a imagem de uma menina de 13 anos que falava apenas da escola.

IV – De que maneira essa experiência influenciou sua trajetória como estudante e como cidadã?
IF: Eu tive várias oportunidades de conhecer pessoas que lutavam pelo bem, por diversas causas. Foram muitas histórias que me fizeram abrir os olhos para o mundo em todos os sentidos.

IV – Qual profissão pretende seguir?
IF: Essa é uma pergunta que ainda não tem uma resposta certa. Este ano, estou dedicada a passar no vestibular. Já consegui vaga na área biológica e na de exatas, mas quero, neste momento, entrar em Relações Internacionais.

IV – Se pudesse deixar algum conselho a outros alunos, qual seria?
IF: Olha, aos alunos que querem fazer algo similar ao que eu fiz, só quero que eles não desistam por conta de represálias. Que usem isso para se fortalecer. Aos que estão próximos do vestibular, quero que lembrem de que sua vida não depende só daquilo. Você pode, sim, falhar, errar a escolha do curso, e não precisa entrar em pânico por conta disso.

IV – Como a mobilização social auxilia nas demandas para a melhoria do ensino público?
IF: Para mim, não há ninguém melhor que os alunos para dizer o que há de errado dentro das escolas. Para mim, é importante que eles sejam ouvidos.

IV – O modelo da sua fanpage serviu de exemplo para muitos alunos, e ainda é, até hoje. Você sente que ele foi primordial para que a sociedade se sinta parte da mudança educacional do País?
IF: Eu acho que foi uma maneira de mostrar às pessoas que é mais fácil do que parece correr atrás daquilo em que acreditam. Fico muito feliz em ter servido de inspiração para outras pessoas, mas sei que poderia ter sido qualquer pessoa no meu lugar.

IV – Você acredita que os jovens podem, de fato, fazer a mudança no cenário brasileiro com poucos recursos, assim como aconteceu com o seu projeto?
IF: Com toda certeza. É preciso querer e usar os recursos de maneira correta. E a internet acessível facilita muito.

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