Lucia Dellagnelo: “O papel do professor deve ser maior que simplesmente transmitir conteúdo”

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No 5° Happy Hour do Instituto Votorantim, Lucia Dellagnelo, Diretora Presidente do Centro de Inovação para a Educação Brasileira (CIEB), abordou o tema “Caminhos possíveis para melhorar a educação no Brasil: Inovação”.

Mestre e Doutora em Educação pela Universidade de Harvard, Lucia iniciou o debate afirmando que a inovação educacional não é, necessariamente, restrita à tecnologia: “A tecnologia não é suficiente para aprendizagem, mas pode ser um fator impulsionador e direcionador. Tecnologia é diferente da cultura de inovação”.

A convidada destacou que a tecnologia é um fator que ajuda a impulsionar o jeito de ensinar e aprender, e que o professor deve ser o mediador e não mais o transmissor de conteúdo, que já é acessível por outras frentes. “O papel do professor deve ser maior que simplesmente transmitir conteúdo: ele deve ser o mediador das interações do aluno com aquele conteúdo”, pontuou.

E afirmou: a inovação na Educação surge quando professores, diretores e gestores começar a questionar processos que antes eram feitos, mas agora não são mais necessários: “No Brasil, nós temos medo de mudar. A Educação é conservadora no sentido de achar que não podemos experimentar”.

Lucia também falou sobre a cultura da experimentação e confiança criativa. Entre os exemplos internacionais, citou a Estônia, que ocupa o primeiro lugar em Educação Básica na Europa, e terceiro no ranking mundial e, há dez anos, ocupava as últimas posições.

Potenciais

A Diretora Presidente do CIEB também ressaltou a importância de políticas educacionais sólidas e planejadas para que o uso da tecnologia seja eficaz para evolução do ensino. “Lousa digital é a tecnologia que talvez tenha menos impacto na aprendizagem”, frisou.

Outro ponto importante abordado foi o uso da tecnologia para reduzir as diferenças socioeconômicas: “A tecnologia ajuda a reduzir o gap social, possibilitando que alunos sem condições de visitar o Louvre façam um tour virtual”.

Por fim, ela apresentou quatro grandes potenciais oferecidos pela tecnologia para o avanço na Educação: Qualidade, Equidade, Contemporaneidade e Gestão.

Em Qualidade, auxiliaria no acesso a conteúdos educacionais de qualidade, desenhados por especialistas, para que possam acessar conhecimento.

No segundo, Equidade, poderia ter mais impacto nas regiões mais pobres, se os recursos e a conectividade fossem maiores.

Já em Contemporaneidade, ajudaria a incluir temas cotidianos dos alunos às disciplinas regulares, além de contextualizar o uso de celulares em salas de aula, ao invés de restringi-los.

Por fim, a Gestão, com a redução de recursos gastos e tempo para construção da gestão escolar básica.

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