Nova metodologia do ReDes valoriza força dos grupos produtivos

Uma das principais transformações trazidas pela evolução da metodologia do Programa ReDes é a valorização da força dos grupos produtivos que apresentam projetos e de sua disposição para prosperar com o negócio.
Iniciado em 2011, fruto da parceria entre o Instituto Votorantim, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e empresas investidas da Votorantim, o ReDes já apoiou a estruturação de 52 projetos que geraram uma renda total de aproximadamente R$ 18 milhões. Em 2015, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) também se uniu ao programa com o interesse e o apoio voltados para a revisão da metodologia do programa.
Após um período de avaliação técnica e pesquisa em campo, foi construída uma nova proposta que começou a ser testada em 2017 na seleção de novos projetos. Alguns elementos da metodologia também foram aplicados em projetos já iniciados para fortalecer questões específicas como comercialização ou produção (saiba mais aqui).
As principais mudanças com a atual metodologia acontecem no processo de entrada de novos grupos, com a utilização da Régua de Maturidade, ferramenta que – unida à análise de viabilidade econômica e social – avalia questões de interação, edificação e organização dos grupos (veja quadro abaixo).
Com o início da aplicação da ferramenta na etapa de seleção, ganha importância a força das organizações proponentes enquanto, anteriormente, a avaliação dos grupos produtivos considerava prioritariamente a viabilidade financeira dos negócios inclusivos. A régua também é utilizada durante o processo de desenvolvimento dos negócios.
João Paulo Candia Veiga, pesquisador da Universidade de São Paulo (USP), que atua com uma equipe de consultores na aplicação da Régua de Maturidade nos projetos do ReDes e que desde 2016 realiza a avaliação de viabilidade financeira dos proponentes, explica que antes da aplicação da Régua, já eram observadas questões relativas aos grupos produtivos, mas com menor rigor.
“A nova metodologia é muito mais criteriosa com os grupos e avalia questões como entrosamento, processos e até mesmo se as pessoas não foram cooptadas por alguma liderança política local”, destaca.
Ana Bonimani, gerente de Gestão de Programas do Instituto Votorantim, explica que a aplicação da Régua de Maturidade tende a aumentar muito a taxa de sucesso dos projetos porque traz uma boa percepção das condições do grupo de fazer o negócio avançar.
“Após esses anos acompanhando a evolução dos negócios inclusivos do ReDes, entendemos que o coletivo de pessoas é a peça fundamental para o sucesso dos negócios. Por isso a força dos grupos produtivos ganhou importância na seleção quando revisamos a metodologia do programa.”

Um novo capítulo

O processo de seleção de novos projetos do ReDes de 2017 já foi realizado dentro da nova metodologia, com aplicação da Régua de Maturidade. Foram aplicadas avaliações em Alumínio (SP), Niquelândia (GO), Miraí (MG), Tapiraí (SP) e Curral Novo do Piauí (PI).
A experiência demonstra que a aplicação da Régua de Maturidade representa um filtro mais rigoroso para aprovação de projetos. Para aproveitar o capital social dos municípios, as empresas e o Instituto Votorantim têm desenvolvido soluções específicas para cada localidade fomentar o dinamismo e atuar na geração de trabalho e renda (saiba mais aqui).
O consultor de Comunicação e Responsabilidade Social da CBA em Niquelândia, João Borges Lacet Montenegro, que está na empresa desde 2012 e acompanhou o desenvolvimento dos projetos da região no primeiro ciclo do ReDes e também o processo seletivo de 2017, acredita que a nova metodologia trouxe ganhos. “Vários projetos que foram selecionados no início do programa talvez não fossem agora com a aplicação da Régua de Maturidade. Isso mostra que a nova abordagem tem um olhar muito mais acertado”, destaca.

Dimensões da Régua de Maturidade

A Régua de Maturidade está dividida em três dimensões:

Interação: avalia a coesão do grupo e aspectos que podem vir a interferir nela ao longo do tempo.

Edificação: avalia a capacidade de construir uma visão de futuro e de organização entorno dela, buscando atingir os resultados esperados.

Organização: avalia o sistema de gestão do empreendimento, incluindo processos para garantir o controle financeiro da instituição, processos de produção e comercialização e cumprimento de rotinas obrigatórias e legais.