“O currículo escolar é um caminho, não um conjunto de ferramentas”

 

Da esquerda para a direita: Márcio Guerra, Mirella Ugolini e Carolina da Costa

De que forma a educação que temos hoje se alinha com as necessidades e demandas do futuro do mercado de trabalho? Foi esse o assunto do terceiro Happy Hour do Instituto Votorantim, que aconteceu no dia 26/7, em São Paulo.

Com mediação de Mirella Ugolini, gerente de desenvolvimento da área de recursos humanos da Votorantim S.A, o debate contou com Carolina da Costa, vice-presidente de graduação do Insper, e Márcio Guerra, Gerente Executivo da Universidade Corporativa SESI e SENAI – UNINDÚSTRIA.

Márcio abriu o encontro apontando possíveis causas para a dificuldade de os jovens de classes mais baixas conseguirem ingressar no mercado de trabalho. “Se, em um século, a escola não mudou, a classe média encontrou meios de incentivar seus filhos a evoluírem. Nas famílias menos assistidas, isso não aconteceu”, destacou.

Ele também enfatizou as questões da autoestima dos estudantes em situações de vulnerabilidade e da aplicabilidade da aprendizagem escolar no mercado de trabalho: “A maioria não entende o uso prático de Bhaskara, mas se esse uso é ilustrado no Angry Birds, isso ganha outra abordagem. É preciso falar a mesma língua para gerar identificação”.

Carolina falou sobre como os currículos escolares e acadêmicos se aplicam nas funções relacionadas às profissões, e sobre a integração entre as disciplinas para formação dos currículos escolares e acadêmicos. “O currículo escolar é um caminho, não um conjunto de ferramentas”, frisou.

A vice-presidente de graduação do Insper também citou o reconhecimento dos professores e a integração entre disciplinas como algumas das mudanças que devem ser feitas. “Quando abordamos a questão da multidisciplinaridade, estamos reforçando a ideia de que as disciplinas não atuam juntas. Nisso, o aluno deixa de ser o destaque, pois misturamos muitos itens no discurso sobre melhorias na Educação. É necessário um alinhamento de incentivos”, afirmou.

Novos modelos educacionais

Márcio também disse que, desde a década 1980, a produtividade segue estagnada no País e reflete os problemas relacionados aos modelos educacionais vigentes. “É necessário rever modelos para o país do futuro, mas não há receita de bolo: precisamos encarar os problemas de frente”, pontuou.

Já para Carolina, a aproximação entre escolas e universidades – e entre estas e o mercado de trabalho – pode ser uma possibilidade. “O Ensino Fundamental não pode estar descolado do Ensino Médio, que não pode estar descolado do Ensino Superior, que não pode estar descolado do mercado de trabalho. Precisamos parar de cortar a educação em fatias”, afirmou. Ela também destacou modelos intergeracionais, com profissionais com experiência de mercado presentes dentro de grades curriculares nas instituições de ensino.

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