“O nosso sonho é resolver o problema de 40 milhões de pessoas que vivem em situação de insalubridade”, Matheus Cardoso, sócio fundador do Moradigna

Dados de uma pesquisa realizada pelo IBGE, entre 2008 e 2012, divulgados em 2014, apontaram que os alagamentos deixaram 2,1 milhões de pessoas desabrigadas ou desalojadas. No mesmo período, 2.065 municípios brasileiros foram atingidos por enchentes ou enxurradas e os deslizamentos acometeram 895 cidades. Ao todo, inundações bruscas no país tiraram 777.546 pessoas de suas casas. De fato, o cenário mostra-se grave e até hoje a situação ainda exige novos recursos do poder público e privado para que a contenção destes riscos.

Matheus Cardoso, sócio fundador do Moradigna, é um dos brasileiros que já viveu estes desastres naturais e viu no problema uma oportunidade de negócio. Desde 2014, o seu negócio social reforma casas em situação insalubre por preços acessíveis na região do Jardim Pantanal, em São Paulo.

Para atingir novos patamares, a parceria com o setor privado vêm sendo um dos recursos utilizados para o bom andamento do Moradigna. Saiba mais sobre o assunto na conversa que o Instituto Votorantim teve com ele:

Vivian Sória, Rafael Veiga e Matheus Cardoso formam o trio de sócios-fundadores do Moradigna

Instituto Votorantim – A ideia do Moradigna surgiu devido às situações de enchentes vividas em sua própria casa durante a infância, te marcando a ponto de pensar em algo para solucionar este tipo de situação. Pensando neste contexto, quando você percebeu que havia este nicho de atuação e que o Moradigna era possível?

Matheus Cardoso – Eu percebi que havia um nicho de atuação quando fiz um curso técnico em edificações, mas já era uma convicção que eu tinha há um tempo. Por ter vivido essa realidade quando criança, sabia que a questão era fácil de diagnosticar: as reformas eram mal feitas, inacabadas, sem planejamento – em que falta ou sobra material. Ou o pedreiro não cumpria o combinado ou, na verdade, haviam dúvidas sobre que estava previsto efetivamente. Então, quando eu fiz este curso notei que as soluções destes problemas não eram tão complexas quanto imaginava, mas que era uma questão de planejamento e gestão mais cuidadosa destas demandas. Naquele momento ficou claro que havia um mercado para atuar. Ou seja, o mercado do Moradigna não é novo, nem inventamos nada. Só estamos oferecendo um serviço eficiente para as comunidades de baixa renda.  

iV –  As parcerias com empresas do setor privado, como a Votorantim Cimentos, é uma das alternativas encontradas para que o Moradigna possa efetivar as suas atividades. Quais dicas você pode compartilhar para aqueles empreendedores que estão iniciando o seu próprio negócio e vislumbra este tipo de coparticipação?

MC – As parcerias são super importantes e nos ajudam a manter a qualidade do trabalho realizado pelo Moradigna. Como esta é uma questão que a gente sempre se propôs, antes mesmo de firmar esta parceria com a Votorantim Cimentos, por exemplo, nós já usávamos estes produtos, pois há um retorno claro de custo x benefício, uma vez que os materiais são de primeira linha. Devido às parcerias, conseguimos oferecer condições especiais de pagamento, parcelamento e de acesso a estes materiais. Porém, essa aproximação com as empresas deu-se a partir do momento em que ficou claro que nosso impacto é comprovado. Foi neste momento que conseguimos propor um ganha-ganha às marcas, em que elas sabem da repercussão  de nosso trabalho na comunidade, gerando um retorno de publicidade, pois elas chegam nestas áreas com mais impacto. Para isso, colocamos os logos de nossos parceiros em toda a nossa comunicação e uniforme. Sendo assim, a minha dica é: as parcerias são importantes, mas elas só vão acontecer após o negócio estar mais estruturado, girando efetivamente. As empresas do setor privado chegam para  agregar valor ao nosso negócio. Isso aconteceu quando a gente ganhou relevância e realizou algumas reformas.

iV – Há intenção de levar o Moradigna para outras cidades? Se sim, temos uma previsão e possíveis localidades de interesse?

MC – Sim, o nosso sonho é resolver o problema de 40 milhões de pessoas que vivem em situação de insalubridade e queremos replicar esse modelo em 2019. Ainda não temos uma previsão, mas pensamos em uma expansão radial, aqui em São Paulo, na Zona Sul, Zona Norte e Centro. Depois replicar para outros Estados.

Saiba mais sobre o Moradigna.