A palavra é: conhecimento

A pós-doutora, docente da Unesp e presidente da Associação Brasileira de Educação em Ciência da Informação, Marta Valentim, explica por que é tão importante que a gestão do conhecimento seja visualizada pela administração pública e de que forma projetos nessa área podem contribuir para a organização do trabalho e de processos de gestão, além de apoiar a administração no alcance de resultados que gerem benefício público.

“A administração pública necessita modernizar suas práticas, em especial desburocratizar processos e inovar no que tange à oferta de serviços e produtos à sociedade. Essas razões vão ao encontro da gestão do conhecimento, uma vez que este modelo de gestão enfoca o conhecimento construído individualmente e coletivamente, cuja dinâmica propicia a aprendizagem organizacional de modo contínuo, bem como valoriza as experiências de cada sujeito organizacional, evidenciando o que deu certo e corrigindo o que não foi satisfatório. Aprender com os erros é tão importante quanto aprender com o que deu certo. A administração pública deve inovar seus processos e isso inclui o uso de tecnologias de informação e comunicação, sendo assim, a gestão do conhecimento minimiza a ambiguidade do ambiente, proporciona mais segurança ao processo decisório e incentiva ideias inovadoras. A gestão do conhecimento atua diretamente sobre a cultura organizacional, elemento fundamental para se trabalhar qualquer tipo de mudança no ambiente organizacional. Além disso, o compartilhamento de dados, informações e conhecimentos se constitui em um diferencial importante, pois propicia uma dinâmica que valoriza o indivíduo enquanto responsável pelos processos organizacionais, estabelecendo um elo com aqueles que receberão o serviço ou produto sob sua responsabilidade. Desenvolver programas ou projetos de gestão do conhecimento contribui significativamente para gerar criatividade que, por sua vez, é diretamente relacionada à inovação. A gestão do conhecimento atua junto aos fluxos informais, essencial para que o conhecimento tácito possa ser explicitado aos demais sujeitos organizacionais, cujas interações sistemáticas geram competências inovadoras. Essa dinâmica promove o estabelecimento de um nível mínimo de qualidade aos processos, serviços e produtos oferecidos à sociedade, consequentemente, os resultados obtidos também são mais satisfatórios.”