Ponto de Vista – "A palavra é: equidade"

Conversamos com a prefeita eleita nas últimas eleições em Xambioá (TO), Patricia Evelin, que nos contou como é ser a terceira mulher a ocupar o cargo no município e sobre as perspectivas para elas na política.

“É uma honra ser a terceira mulher, em mandatos consecutivos, a administrar Xambioá. Isso é muito significativo porque o estado do Tocantins possui 139 municípios e apenas 24 deles têm como representantes prefeitas mulheres. Antes esse número era menor ainda. O que vejo é que a cada ano nós, mulheres, estamos nos destacando mais. Porém, quando o assunto é política, ainda esbarramos em questões mais profundas: muitas pessoas não querem saber de política por partirem do princípio que todo político é corrupto e também por não compreenderem a importância da participação. É extremamente importante que mulheres queiram concorrer a cargos públicos, sejam prefeitas, vereadoras, deputadas e ocupem outras posições. Nós precisamos ocupar esses espaços, temos sensibilidade, inteligência e podemos olhar para outras mulheres em temas como emprego, educação e saúde, por exemplo. Temos dados que mostram que elas procuram mais a saúde do que os homens. Entendo que é meu papel olhar esses números de outra maneira. Gostaria que as outras mulheres se encorajassem e tomassem isso para si, mesmo não sendo uma situação fácil. Por ser mulher, já fui muito criticada. Infelizmente ainda têm homens que falam que não vão votar em mulher ou muita gente fala que se eleger uma mulher é o marido que vai realmente fazer o mandato. O homem pode ter a primeira-dama, mas nós não podemos ser casadas porque tem um julgamento. E esse comportamento também existe em pequenas questões do dia a dia. Sei que algumas situações não aconteceriam se fosse um homem na minha posição. Temos que rebater cada crítica e mostrar o quanto podemos. Eu tenho certeza da nossa competência pra administração pública e qualquer outra posição. É que na política parece ser mais lenta essa ocupação dos espaços. De nove vereadores em Xambioá, apenas uma é mulher. Ainda estamos em desvantagem, mas não demora muito para alcançarmos mais cargos públicos. Eu acredito bastante nesse futuro mais equilibrado.”

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