Ponto de Vista – “A palavra é: diversidade”

Em novembro, comemorou-se o Dia da Consciência Negra, data que ressalta as dificuldades que negros e negras passam há séculos, entre situações cotidianas de preconceito, dificuldade de acesso à Saúde e Educação, e menores oportunidades de trabalho e renda.

Um levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) apontou que, de 2015 para 2016, a taxa de desemprego total dos negros aumentou de 14,9% para 19,4%, enquanto a dos não negros passou de 12% para 15,2%.

Para a assessora técnica do gabinete da Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luana Vieira, é inaceitável que estas desigualdades permaneçam em decorrência da cor da pele. “Uma sociedade com mais igualdade de oportunidades é uma sociedade mais próspera, pois seus cidadãos não enfrentam restrições para desenvolver suas capacidades humanas e produtivas”, comenta.

Luana nasceu na comunidade Campo do Pitangui, favela de Belo Horizonte (MG), e foi da primeira geração de cotistas de sua universidade PUC Minas, onde se formou em Direito. Fez duas pós-graduações, a primeira em Direito Constitucional e Administrativo e a segunda em Gestão Pública. Ela acredita que instituições que possuem mais diversidade de gênero e raça em seus quadros apresentam um desempenho financeiro mais fortalecido.

“Maior produtividade e aumento da satisfação dos empregados no desenvolvimento das atividades são algumas das vantagens, além da contribuição para diminuir a vulnerabilidade das empresas perante as leis trabalhistas e a valorização da imagem empresarial diante dos consumidores e da comunidade”, complementa. Uma menor rotatividade de mão de obra (ou seja, um ritmo menor de contratações e demissões) é outro fator apontado pela profissional como bastante positivo para quem aplica a diversidade em seu trabalho.

Luana explica, ainda, que é preciso assegurar caminhos para que a perspectiva racial esteja presente nos processos de planejamento, monitoramento e avaliação de políticas públicas, com especial atenção às prefeituras pequenas, que, muitas vezes, ficam afastadas de discussões macro no cenário nacional. “As organizações públicas e privadas precisam se engajar mais na busca por igualdade racial em seus quadros. Não apenas tomando medidas efetivas para diversificar, mas discutindo profundamente”, contextualiza.

O Dia da Consciência Negra é comemorado desde 2003 e foi escolhido em homenagem a Zumbi, o último líder do Quilombo dos Palmares, levantado para abrigar escravos fugitivos que não suportavam a situação de escravidão e maus tratos. Mas ainda que a data seja considerada um marco, Luana Vieira reforça que em uma sociedade justa e democrática, a igualdade racial deve ser buscada de forma permanente e não apenas em um único dia do ano, para que direitos básicos sejam assegurados a todos, sempre. “Dia 20 deve ser comemorado o ano inteiro, a consciência negra deve acontecer 365 dias por ano”, finaliza.