PVE 2018 e o direito à aprendizagem

“Escolher a causa Educação para celebrar seu centenário diz muito sobre a Votorantim. ” A fala de Sérgio Malacrida, diretor financeiro da Votorantim S.A, abriu o primeiro dia da Oficina de Pactuação da Parceria Votorantim pela Educação (PVE), realizada de 21 a 23 de fevereiro, em São Paulo.

A ocasião celebrou a chegada do PVE a mais de 100 municípios, em comemoração ao centenário da Votorantim. A iniciativa do Instituto Votorantim conta com apoio das empresas investidas nas localidades onde estão inseridas. O evento reuniu secretários de Educação, professores e gestores escolares de toda a rede participante, além dos funcionários das empresas e do Instituto.

O primeiro dia de evento trouxe o painel “Desafios da Educação: Gestão e Práticas de Aprendizagem”, com mediação de Claudia Costin, gestora pública e professora, e debatido pelos professores Chico Soares, ex-presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), Cleuza Repulho, ex-presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), e Kleber Montezuma, secretário de educação de Teresina (PI).

Claudia abriu o debate destacando os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), firmados pela Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro de 2015, e da Agenda 2030, com destaque ao Objetivo 4, que aborda a educação e o ensino. “O nosso olhar sobre esses objetivos deve ser os direitos de aprendizagem e quais são os resultados”, destacou.

Base Nacional Comum Curricular

Dando sequência ao painel, Chico Soares falou sobre o desenvolvimento e a implantação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). O documento, aprovado em fevereiro deste ano, define os níveis de aprendizagem essenciais a todos os alunos da Educação Básica. “Nosso país naturalizou a desigualdade e a BNCC vai reduzi-la”, afirmou.

Chico dividiu as aprendizagens essenciais em quatro grupos: saberes; conhecimentos e habilidades; valores e cultura; e atitudes. Ele defendeu que os direitos de aprendizagem estão previstos no Plano Nacional de Educação (PNE), e que os conteúdos assimilados dentro das salas de aula devem ser trabalhados como habilidades para vida.

Ainda sobre a Base Nacional, o convidado abordou a importância da especificação das habilidades, para que os professores trabalhem com a ideia de formação do cidadão.

Por fim, destacou que é necessário conhecer os direitos de aprendizagens, e que não há conclusões completas, mas sim, um caminho a ser percorrido.

Direito de aprender

Cleuza Repulho, abordou sua trajetória como secretária de educação nos municípios de Santo André e São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e enfatizou a dificuldade em atuar como gestora dentro do governo: “Não é fácil fazer a máquina funcionar”.

Ela também destacou como as decisões dos gestores escolares impactam diretamente na vida dos estudantes: “Ser secretário é fazer escolhas que podem melhorar a vida dos alunos”.

A convidada explicou também que é necessário administrar por direito, e não por privilégios, e que o principal papel dos secretários de Educação é garantir que as crianças estão aprendendo.

Cleuza finalizou abordando a importância da Base Nacional para casar conteúdos e competências, o uso da tecnologia e a forma como as crianças a utilizam como um facilitador.

Ideb x PIB

O último convidado, Kleber Montezuma, falou sobre suas ações como secretário de Educação de Teresina, no Piauí. A cidade apresenta o terceiro melhor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), entre as capitais brasileiras.

Com quase um milhão de habilitantes, Teresina é a capital com o menor Produto Interno Bruto (PIB) per capita, entre as capitais brasileiras. Mesmo assim, a localidade tem apresentado evolução no Ideb nos anos iniciais, no comparativo de 2011 a 2015.

Kleber afirmou que, entre os fatores do sucesso escolar, está o foco no ensino e na aprendizagem, com objetivos de ensino claramente definido e programas de ensino estruturados. E foi além: “Não basta oferecer uma educação de qualidade, é preciso oferecer uma educação de qualidade para todos”.

O secretário também falou sobre a qualificação da gestão escolar e o monitoramento do progresso dos alunos como fatores para o sucesso em Teresina.

No encerramento, enfatizou a importância da formação de diretores na gestão escolar: “O diretor é responsável pelo ensino dos estudantes, e não apenas das demandas de manutenção da escola”.